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Descrição: Nova Friburgo - 200 anos de lutas e resistência O projeto ''Nova Friburgo - 200 anos de lutas e resistência'' é tributário de uma visão histórica que se contrapôs à celebração do bicentenário do Decreto Real de Dom João VI, responsável pela vinda de famílias suíças para o Brasil. O documento foi assinado em 16 de maio de 1818, mas as primeiras famílias de imigrantes suíços chegam e efetivamente se instalam em terras hoje pertencentes ao Município de Nova Friburgo em fins de 1819 e começos de 1820, quando foi criada a Vila de Nova Friburgo. As comemorações oficiais, ideologicamente demarcadas e entusiastas do velho projeto liberal burguês, não dão conta de desvelar o longo e complexo processo social que resultou na formação do povo friburguense. Não são o ''empreendedorismo'', a ''inovação'' e a ''modernidade'' as marcas que definem ou sintetizam Nova Friburgo. Houve e há até hoje a tentativa de apagar a histórica da escravidão na região, da presença da cultura negra, do forte movimento operário e sindical organizado ao longo do século XX, por meio da difusão por décadas do mito da "Suíça Brasileira" e, posteriormente, da ideologia do "Paraíso Capitalista", a serviço dos interesses da burguesia industrial, comercial e agrária local. O desenvolvimento capitalista consolidado a partir da instalação das primeiras fábricas têxteis nas primeiras décadas do século XX, influenciado principalmente por recursos de origem alemã, promoveu a superexploração dos trabalhadores e das trabalhadoras, o que, por outro lado, se configurou como um terreno fértil para muitas ações de resistência - sempre protagonizadas pelas classes pobres e operárias, as quais não poucas vezes recorreram a greves e manifestações para se opor à sanha do capital. A luta operária se confrontou também com a forte presença do nazifascismo nesta região. Três livros compõem a caixa ''Nova Friburgo - 200 anos de lutas e resistência": 1) A Escravidão Velada: senhores e escravos na formação da Vila de São João Batista de Nova Friburgo (1820-1850), de Rodrigo Marretto; 2) Nova Friburgo: a construção do mito da Suíça Brasileira (1910-1960), de João Raimundo de Araújo; 3) Visões do "Paraíso Capitalista": a construção da hegemonia burguesa na história de Nova Friburgo, de Ricardo da Gama Rosa Costa. Os historiadores recorreram a uma robusta pesquisa sobre fontes primárias, jornais, entrevistas etc para produzir relatos e análises que nos permitem compreender, reconhecer, destacar e valorizar a participação do povo negro, pobre e operário na construção real da história da cidade, em contraposição ao projeto burguês, liberal e capitalista. Em tempos de ataques generalizados de governos e das classes dominantes aos direitos da classe trabalhadora, de golpismos e ameaças concretas às liberdades democráticas, a pretensão do projeto ''Nova Friburgo - 200 anos de lutas e resistência''é revisitar o processo social local na perspectiva de promover o necessário resgate histórico do movimento popular e erguer novas trincheiras contra a tragédia neoliberal contemporânea.